Músculos
São responsáveis pelos movimentos do corpo. São constituídos por
células alongadas (denominadas de fibras musculares) caracterizadas
pela presença de grande quantidade de filamentos citoplasmáticos
específicos. As células musculares apresentam grande
desenvolvimento da função contratilidade e, em menor grau da
condutibilidade. Esta especialização envolve alongamento das
células, no sentido do eixo da contração, razão pela qual são
comumente ditas fibras musculares.
Por serem altamente especializadas, seus
componentes recebem denominações específicas:
Membrana citoplasmática = sarcolema
Citoplasma = sarcoplasma
Fibras contráteis citoplamáticas =
miofibrilas
Retículo endoplasmático = retículo
sarcoplasmático
Mitocôndrias = sarcossoma.
ORIGEM EMBRIOLÓGICA
As células musculares têm origem mesodérmica e sua diferenciação
ocorre devido a um processo de alongamento gradativo com simultânea
síntese de proteínas filamentosas.
CARACTERÍSTICAS AO ESTUDO HISTOLÓGICO
Em cortes histológicos, costumeiramente corados com Hematoxilina
e Eosina (HE), os tecidos musculares destacam-se como campos
eosinofílicos brilhantes de células intimamente aglomeradas.
Cortadas longitudinalmente a seus eixos maiores: são longos
bastões ou fusos;
Cortadas transversalmente: apresentam-se circulares
O seccionamento ao acaso, mais comum, normalmente cortes
oblíquos: produz diversos perfis de natureza elíptica.
IV. DIFERENÇAS ENTRE FIBRA MUSCULAR E FIBRA DO
TECIDO CONJUNTIVO
A principal diferença é o fato da fibra muscular ser uma célula,
enquanto a fibra do tecido conjuntivo ser uma estrutura protéica
constituída, normalmente, por um tipo principal de proteína.
CLASSIFICAÇÃO
De acordo com as características morfológicas e funcionais
distinguimos nos mamíferos três tipos de tecido muscular: MUSCULAR
ESTRIADO OU ESQUELÉTICO; MUSCULAR ESTRIADO CARDÍACO e MUSCULAR
LISO.
TECIDO MUSCULAR ESTRIADO OU ESQUELÉTICO
O tecido muscular esquelético é formado por células alongadas,
de forma cilíndrica, multinucleadas (sincício – cada célula
possui muitos núcleos, a maioria dos quais está localizado
perifericamente dentro da célula), variam de 10 a 120 micrômetros
(mm) de diâmetro, e muitas vezes estendem-se em todo o comprimento
de um músculo (40 cm). O nome estriado deriva do aspecto de
estriações transversais observadas ao microscópio óptico. Também
recebe o nome de músculo esquelético porque está geralmente
inserido em ossos e é responsável pelos movimentos articulares.
As células do tecido muscular recebem a denominação específica
de fibra, apresentam vários núcleos periféricos e o seu citoplasma
apresenta-se preenchido por fibrilas paralelas, são as
miofibrilas.
As fibras musculares são envolvidas por uma membrana de tecido
conjuntivo que é denominada de endomísio. As fibras se agrupam em
feixes que são envolvidas pelo perimísio formando os fascículos, e
estes agrupados formam o músculo, que também é envolvido por uma
membrana de tecido conjuntivo denominada de epimísio. O tecido
conjuntivo desempenha importantes papéis na estrutura do músculo
estriado, primeiro por manter as fibras unidas, permitindo que a
força de contração gerada por cada fibra atue sobre o músculo
inteiro; segundo por permitir que a força de contração do músculo
atue sobre outras estruturas como tendões, ligamentos, aponeuroses,
periósteo, etc.
A contração das fibras musculares estriadas é voluntária e
rápida.
Estrutura microscópica das células musculares
Filamentos contráteis (miofibrilas)
Essas estruturas são cilíndricas, apresentam um diâmetro de 1 a
2 mm e correm longitudinalmente à fibra muscular, preenchendo quase
completamente o seu interior. Ao microscópio óptico aparecem com
estriações transversais pela alternância de faixas claras e
escuras.
As miofibrilas são compostas por filamentos protéicos
(miofilamentos). São nas miofibrilas que encontramos as unidades
contráteis do músculo (os sarcômeros) que são estruturas
localizadas entre duas linhas Z consecutivas.
Analisando a ultra-estrutura de um sarcômero veremos que este é
formado basicamente por proteínas que se arranjam em filamentos de
forma simétrica e paralela. Notam-se filamentos mais finos (formado
por actina, tropomiosina e troponina) e filamentos mais grossos
(formado por miosina).
Entre duas linhas Z consecutivas temos um sarcômero, este
apresenta discos ou regiões ou faixas anisotrópicas (faixas A) e
isotrópicas (faixas I). Em um sarcômero em repouso encontra-se
miofilamentos de actina (os mais finos) com suas extremidades
ligadas às linhas Z e as outra livres, enquanto que os
miofilamentos de miosina se encontram “livres”. As
faixas I são aquelas que só se encontram miofilamentos de actina e
nas faixas A encontram-se tanto miofilamentos de miosina como de
actina. No entanto, nessa faixa A há uma linha clara, é a linha H,
que é justamente formada por miosina. Esta some no momento da
contração da miofibrila, uma vez que haverá uma interdigitação dos
miofilamentos de actina.
Retículo sarcoplasmático
O retículo sarcoplasmático regula especificamente o fluxo de
íons de cálcio. O retículo sarcoplasmático consiste de uma rede de
cisternas do retículo endoplasmático liso, que envolve grupos de
miofilamenos separando-os em feixes cilíndricos. Quando a membrana
do retículo sarcoplasmático é despolarizada pelo estímulo nervoso
os íons de cálcio concentrados nas cisternas do retículo
sarcoplasmático são liberados passivamente e atingem os filamentos
finos e grossos da vizinhança, ligando-se à troponina e permitindo
a formação de pontes entre a actina e a miosina. Quando cessa a
despolarização, o retículo sarcoplasmático por processo ativo
transporta novamente o cálcio para dentro das cisternas, o que
interrompe a atividade contrátil.
Túbulos transversais (Sistema T)
O sistema T é responsável pela contração uniforme de cada fibra
muscular esquelética. Ele é constituído por uma rede complexa de
invaginações tubulares do sarcolema, cujos ramos vão envolver ambas
as junções A-I de cada sarcômero.
Em cada lado de cada túbulo T existe uma expansão ou cisterna
terminal do retículo sarcoplasmático (Túbulos L). Este complexo
especializado formado de um túbulo T e duas expansões do retículo
sarcoplasmático, é conhecido como tríade.
Inervação
A contração normal das fibras esqueléticas é comandada por
nervos motores. Estes nervos ramificam-se dentro do tecido
conjuntivo do perimísio, onde cada nervo origina numerosas
terminações.
A placa motora ou junção mioneural é o local no qual o nervo se
insere numa depressão da superfície da fibra muscular, aqui o nervo
perde a bainha de mielina e o axônio é recoberto por uma delgada
camada de citoplasma das células de Schwann. O terminal axônico
apresenta numerosas mitocôndrias e vesículas sinápticas. Estas
contêm o neurotransmissor acetilcolina.
Quando uma fibra do nervo motor dispara (impulso nervoso), o
terminal axônico libera acetilcolina, que se difunde através da
fenda sináptica e da placa motora e vai se prender a receptores
específicos situados no sarcolema das dobras juncionais. A ligação
com o neurotransmissor faz o sarcolema ficar mais permeável ao
sódio, o que resulta numa desporalização da membrana.
A repolarização iniciada na placa motora propaga-se ao longo da
membrana da fibra muscular e penetra na profundidade da fibra
através do sistema de túbulos transversais (T). Em cada tríade o
sinal despolarizador passa para o retículo sarcoplasmático e
resulta na liberação de cálcio, que inicia o ciclo da contração.
Quando a despolarização temina o cálcio é transportado ativamente
de volta paras as cisternas do retículo sarcoplasmático e o músculo
relaxa.
O excesso de acetilcolina é hidrolisado pela colinesterase
presente no interior da fenda sináptica.
Uma fibra nervosa pode inervar uma única fibra muscular ou então
se ramificar e inervar 160 ou mais fibra musculares.
O número de unidades motoras acionadas e o tamanho de cada
unidade controlam a intensidade da contração do músculo.
O tamanho das unidades motoras em determinado músculo tem
relação com a delicadeza de movimentos requerida pelo músculo.
Outros componentes do sarcoplasma
No sarcoplasma encontramos glicogênio em abundância depositado
sob a forma de granulação grossa. Funciona com depósito de energia,
que é mobilizada durante a contração muscular.
Outro componente do sarcoplasma é a mioglobina, pigmento análogo
à hemoglobina. Principal responsável pela cor vermelho-escuro que
alguns músculos apresentam. A mioglobina serve de depósito de
oxigênio e existe em grande quantidade em animais que normalmente
mergulham, como focas e baleias.
Sistema de produção de energia
A célula muscular esquelética é altamente adaptada para a
produção de trabalho mecânico descontínuo, usando energia química.
Essa energia é acumulada principalmente no ATP e FOSFOCREATINA que
são armazenados na célula. Entretanto o glicogênio também pode ser
usado como fonte de energia química. Uma pequena parte da sua
energia é liberada durante a glicólise, mas a maior parte da
energia é produzida durante a oxidação fosforilativa, nas
mitocôndrias. Esse processo utiliza o oxigênio do snague ou o
oxigênio ligado à mioglobina.
Nos mamíferos, os músculos em repouso utilizam principalmente os
ácidos graxos e acetoacetatos circulantes como fonte energética.
Quando em grande atividade, metabolizam a glicose, que passa a ser
principal fonte de energia.
Histiogênese
A histiogênese do músculo esquelético é diferente da dos outros
tipos de músculo. Estudo dos embriões jovens indicam que os
primeiros mioblastos do músculo esquelético surgem de uma região
específica da cada somito mesodérmico, o miótomo. Daqui, as células
destacam-se da massa epitelial e migram para o local futuro
músculo. Como a cabeça não possui somitos, os músculos esquléticos
dessa região parecem surgir diretamente do mesênquima que migra
para o interior da área, ou o neuretoderma.
No início da vida pós-natal do mamífero, o número total eventual
de fibras musculares em qualquer músculo bruto é estabelecido e
permanece relativamente constante dali em diante.
As fibras dos músculos esqueléticos danificados podem
regenerar-se em qualquer estágio da vida, mas, como os demais
tecidos musculares, a maior parte do reparo é na forma de tecido
conjuntivo.
TECIDO MUSCULAR ESTRIADO CARDÍACO
Esse músculo é constituído por células alongadas que se
anastomosam irregularmente. Também apresentam estriações
transversais, mas são facilmente diferenciadas das dos músculos
esqueléticos por só apresentarem um ou dois núcleos centrais. Um
aspecto importante dessa musculatura é o fato de entre as suas
células existir linhas transversais fortemente coráveis que
aparecem em intervalos irregulares, são os discos intercalares. São
junções que aparecem como linhas retas ou exibem um aspecto em
escada. Nesses discos encontram-se três especializações
juncionais:
A zônula de adesão que serve para ancorar os filamentos de
actina dos sarcômeros terminais; os desmossomas que unem as células
musculares impedindo que elas se separem sob a atividade contrátil
constante do coração e as junções do tipo GAP que se situam nas
partes laterais dos discos e são responsáveis pela continuidade
iônica entre as células musculares vizinhas.
Apesar de estriado a contração é involuntária e rápida.
Estrutura e função das proteínas contráteis da fibra muscular
cardíaca
A estrutura e a função das proteínas contráteis das células
musculares cardíacas são praticamente as mesmas do músculo
esquelético. No entanto, o sistema T e o retículo sarcoplasmático
não são tão bem organizados como no músculo esquelético. As tríades
não são tão freqüentes, sendo característico a presença de díades,
constituídas por um túbulo T e uma cisterna do retículo
sarcoplasmático.
Além de grandes depósitos de glicogênio e de grânulos de
lipofuscina, o sarcoplasma cardíaco contém muitas mitocôndrias
localizadas próximo a cada pólo do núcleo e também intercaladas
entre os miofilamentos.
Nervos e sistema gerador e condutor do impulso no coração
Logo abaixo da camada interna de tecido conjuntivo que reveste o
coração, encontramos uma rede de células musculares cardíacas
modificadas, acoladas à parede muscular do órgão: elas têm
importante papel na geração e condução do estímulo cardíaco, de tal
modo que as contrações dos átrios e ventrículos ocorrem em
determinada seqüência. São as fibras de Purkinje.
Não existem no coração terminações nervosas comparáveis à placa
motora do músculo esquelético, no entanto o coração recebe nervos
tanto do sistema simpático como do parassimpático, que formam
plexos na base do coração.
As células musculares cardíacas são capazes de autoestimulação,
independentemente do impulso nervoso.
O sistema nervoso exerce no coração uma ação reguladora,
adaptando o ritmo cardíaco às necessidades do organismo como um
todo.
Histiogênese do músculo cardíaco
Todo o tecido muscular, exceto possivelmente o da cabeça, surge
do mesoderma.
O músculo cardíaco, o primeiro a diferenciar-se, é uma
modificação direta da camada mesodérmica epitelial da
esplancnopleura.
Em sua maior parte, a capacidade do músculo cardíaco para se
dividir é perdida em algum momento durante o período de crescimento
inicial. O aumento da parede cardíaca durante as insuficiências
cardíacas de qualquer causa é essencialmente um aumento das células
do músculo cardíaco existente (hipertrofia), em vez do aumento do
número de células (hiperplasia).
A reparação de cortes no tecido muscular cardíaco é feita pela
proliferação de tecido conjuntivo.
C. TECIDO MUSCULAR LISO
O tecido muscular liso é formado por células longas fusiformes,
que podem medir de 5 a 10 mm de diâmetro por 80 a 200 mm de
comprimento. Estas células geralmente estão dispostas em camadas,
sobretudo nas paredes de órgãos ocos, como tubo digestivo, vasos
sanguíneos, etc. Também podem ser encontrados no tecido conjuntivo
de certos órgãos como próstata e vesículas seminais e no tecido
subcutâneo de certas regiões como o escroto e os mamilos. Podem
agrupar-se formando pequenos músculos individualizados (é o caso do
músculo eretor dos pêlos), ou então constituindo a maior parte de
um órgão, como no útero.
Suas células apresentam apenas um núcleo central e são
revestidas e mantidas juntas por uma rede muito delicada de fibras
reticulares. Também encontramos no músculo liso vasos e nervos que
penetram e se ramificam entre as células.
Em corte transversal o seu aspecto é de um aglomerado de
estruturas circulares ou poligonais que podem ocasionalmente
apresentar um núcleo central.
Em corte longitudinal percebe-se uma camada de células
fusiformes paralelas.
A contração da célula muscular lisa é involuntária e normalmente
é lenta.
Estrutura da célula muscular lisa
A célula muscular lisa também é revestida externamente por uma
camada de glicoproteína amorfa (glicocálix). Seu plasmalema
apresenta, como característica, uma grande quantidade de vesículas
de pinocitose em diferentes estágios de formação. Freqüentemente os
plasmalemas de duas células adjacentes se aproximam muito formando
uniões estreitas, do tipo zônula de oclusão e GAP. Essas estruturas
não só participam da transmissão do impulso nervoso de célula para
célula, como também mantêm a união entre as células.
Existe um núcleo longo e central por célula. Podemos observar,
numa zona justanuclear do sarcoplasma, algumas mitocôndrias,
elementos do retículo sarcoplasmático granular e grânulos de
glicogênio. Também se encontra presente o aparelho de Golgi, pouco
desenvolvido.
A célula muscular lisa apresenta feixes de miofilamentos que se
cruzam em todas as direções, formando uma trama tridimensional, não
demonstrando, os miofilamentos de actina e miosina, a mesma
organização paracristalina encontrada nas fibras estriadas.
No músculo liso é possível uma sobreposição dos filamentos
grossos e finos por maior extensão, o que permite grau maior de
contração.
Além dos filamentos de actina e de miosina, a célula muscular
lisa exibe uma trama de filamentos intermediários que constituem
uma espécie de matriz, participando do citoesqueleto.
As células musculares lisas não possuem sistema T e seu retículo
sarcoplasmático (regulador do fluxo de cálcio) é extremamente
reduzido. As vesículas de pinocitose são numerosas e desempenham um
papel importante na entrada e saída do íon cálcio.
Demonstrou-se recentemente que a célula muscular lisa, além de
sua capacidade contrátil, pode também sintetizar colágeno do tipo
III, fibras elásticas e proteoglicanas.
Existem terminações nervosas no músculo liso, mas o grau de
controle ca contração muscular pelo sistema nervoso varia.
O músculo liso recebe fibras do sistema nervoso simpático e do
parassimpático e não exibe as junções neuromusculares elaboradas
que ocorrem apenas no músculo esquelético.
Histiogênese
Formado a partir do mesoderma, o tecido muscular liso repara-se
por si mesmo com formação de cicatrizes semelhantes ao do músculo
cardíaco. Os animais adultos mantêm a capacidade de converterem
capilares em artérias musculares quando os caminhos normais do
fluxo sanguíneo distributivo são interrompidos, provavelmente por
diferenciação das células perivasculares primitivas em células
musculares lisas.
Fonte: www.cstr.ufcg.edu.br
Músculos
Estrutura e função do músculo esqueletico
A maior parte do corpo humano é formada por músculos
esqueléticos, constituindo desta forma cerca de 40 ? 50 % do peso
corporal total. Uma das funções mais importantes do músculo
esquelético é a capacidade de locomoção e respiração.
Três funções do músculo esquelético são
importantes:
1 Geração de força para a locomoção e para
respiração
2 Geração de força para sustentação
postural
3 Produção de calor durante períodos de
exposição ao frio.
Por meio dos tendões os músculos esqueléticos se fixam aos
ossos, os músculos esqueléticos se fixam em duas extremidades em
uma denominada origem na qual o músculo se une ao osso e não se
move, enquanto a outra extremidade esta fixada a um osso (inserção)
que se move durante a contração muscular.
O simples fato de piscar a uma corrida em uma maratona depende
do funcionamento correto do músculo esquelético, desta forma
qualquer atividade física só pode existir por meio da força
muscular.
É importante que clínicos, professores de Educação Física e
técnicos tenham um bom conhecimento do sistema muscular, para que
os mesmos possam planejar adequadamente e conduzir os programas
destinados a aumentar a força muscular, a endurance e a
flexibilidade, uma vez que os músculos esqueléticos desempenham o
papel no esporte o conhecimento aprofundado de suas estruturas
tanto microscópica quanto macroscópica é muito importante pois
através delas se pode compreender melhor o funcionamento do
músculo, como ele se contrai, porque ele se fadiga.
Esse entendimento é importante uma vez que através dele pode se
planejar programas de treinamento de força cientificamente
justificados.
IRRIGAÇÃO
A irrigação dos músculos é feita ricamente por vasos sanguineos,
um complexo de artérias e veias penetram no músculo e saem dele
juntamente com os tecidos conjuntivos, dispondo se paralelamente a
cada fibra muscular, eles se ramificam repetidamente em numerosas
arteríolas capilares e vênulas, formando extensas redes dentro e ao
redor do endomísio, por meio deste sistema cada fibra recebe um bom
suprimento sanguíneo recém oxigenado proveniente do sistema
arterial, processando ao mesmo tempo a remoção dos produtos nocivos
tipo dióxido de carbono através do sistema venoso.
A quantidade de sangue que um músculo necessita depende do seu
estado de atividade.
No exercício no qual utiliza ? se de uma captação de oxigênio de
aproximadamente 4,0L/ min, o consumo de oxigênio aumenta quase 70
vezes chegando a 11 ml por 100g por minuto a fim de que essa
demanda de oxigênio seja atendida grande quantidade de sangue são
transportadas pelo leito vascular através dos tecidos ativos. Em
atividades rítmicas como ciclismo, corrida, o fluxo sanguíneo
flutua diminuindo durante a fase de contração dos músculos e
aumentando durante a fase de relaxamento dos músculos, o que
proporciona uma ordenha facilitadora do fluxo sanguíneo através dos
músculos e ajuda a impulsionar o sangue de volta ao coração.
Um músculo ao gerar aproximadamente 60% de sua capacidade
geradora de força, o fluxo sanguíneo local é ocluído em virtude da
pressão intramuscular elevada. Quando isso ocorre, a energia para o
esforço contínuo com uma produção de força quase máxima é gerada
pelos fosfatos de alta energia intramusculares e através das
reações aeróbicas da glicose.
INERVAÇÃO
Os nervos responsáveis pela inervação de um músculo contêm
fibras tanto motoras quanto sensitivas e em geral penetram no
músculo juntamente com os vasos sanguíneos. Ramificam ? se e
alcançam todas as fibras musculares. Os nervos motores que são
estimulados induzem o músculo a se contrair, eles tem sua origem no
sistema nervoso central (medula espinhal e cérebro). O ponto onde
um nervo motor (axônio) termina sobre uma fibra muscular é
conhecido como junção neuromuscular ou placa motora terminal. Os
nervos motores que penetram no músculo constituem cerca de 60%. Os
nervos sensitivos são o restante com 40%, conduzindo informações
sobre dor e orientação à cerca das áreas corporais dos órgãos
sensoriais musculares ao sistema nervoso central.
COMPOSIÇÃO ESTRUTURAL DO MÚSCULO ESTRIADO
ESQUELÉTICO
A composição do músculo esquelético é feita por diferentes tipos
de tecidos tais como células musculares, os tecidos nervos, o
sangue e vários tecidos conjuntivos.
A célula muscular é conhecida como fibra muscular, as fibras
musculares são envolvidas por um tecido conjuntivo denominado
ENDOMÍSIO, uma grande quantidade de células
(fibras) musculares estão agrupadas e formam feixes musculares ou
fascículos, a camada de tecido conjuntivo que envolve cada
fascículo é denominada de PERIMISIO.
A fáscia que envolve todo o músculo, mantendo ? o unido é
chamada de EPIMÍSIO.
O afunilamento do epimísio em sua extremidade distal, com a
união das bainhas do tecido intramuscular forma o denso e
resistente tecido conjuntivo dos tendões.
Os tendões unem as extremidades do músculo à cobertura mais
externa do esqueleto (periósteo). Disposto entre as fibras
colágenas e os tecidos do tendão há um entrelaçamento o qual forma
uma poderosa conexão entre o músculo e o osso cuja separação é
extremamente difícil, exceto durante um estresse intenso, quando
então pode ser seccionada ou literalmente arrancada do osso.
As fibras musculares não estão em contato direto com o músculo,
assim a sobrecarga é suportada inteiramente pelas inserções direta
de fibras musculares no osso caso não existisse os tendões
provocaria um dano considerável a cada contração muscular. Além dos
tendões serem mais rígidos que os músculos eles também são formados
por fibras ?sem vida?, são metabolicamente inativas em comparação
com o tecido muscular. Um tendão por ser mantido mais resistente
que o músculo, mesmo que ele seja pequeno é ela que consegue
suportar uma grande tensão gerada por um músculo relativamente
grande.
ESTRUTURA DA FIBRA MUSCULAR ESQUELÉTICA
Após o detalhamento das camadas de tecidos que envolvem o
músculo esquelético, pode se compreender melhor agora como as
fibras musculares estão contidas no músculo. De acordo com POWERS E
HOWLEY (2000), cada fibra muscular é um cilindro fino e alongado
que possuem o comprimento do músculo.
Para WILMORE E CASHIL (2000), o diâmetro da fibra muscular varia
de 10 a 80 micrometros (mm). A fibra muscular é envolvida por uma
membrana plasmática chamada de sarcolema. Segundo McARDLE, (1998);
ela é fina e elástica e envolve o conteúdo celular da fibra, sua
constituição é de membrana plasmática de plasmalena e uma membrana
basal.
A membrana plasmática é definida como sendo uma estrutura
lipidica de duas camadas cuja principal função é conduzir a onda
eletroquímica de despolarização sobre a superfície da fibra
muscular, durante o processo de despolarização essa membrana possui
capacidade de isolar uma fibra das outras. A membrana basal é
composta por proteínas e filamentos de fibras colágenas que
permitem a fusão dessa fibra com as fibras colágenas existentes na
cobertura externa do tendão.
Colocando ? se entre a membrana plasmática e a membrana basal,
existe a célula satélite, que são importantes no crescimento
celular regenerativo e na recuperação após a lesão.
O protoplasma aquoso da fibra muscular ou sarcoplasma (também
denominado citoplasma), é uma substância gelatinosa que preenche os
espaços entre as miofibrilas. O sarcoplasma contém proteínas
celulares, organelas miofibrilas, minerais, glicogênio, gorduras
dissolvidas, os núcleos (aproximadamente 250 por milímetro de
comprimento da fibra), mitocôndria e outras organelas
especializadas.
O sarcoplasma difere do citoplasma de outras células pelo fato
de nele conter, grande quantidade de glicogênio armazenada, bem
como a mioglobina, que é um composto similar à hemoglobina, que
liga o oxigênio.
Ainda no interior da fibra muscular encontramos uma rede de
canais membranosos (ou rede longitudinal de túbulos), chamada de
retículo sarcoplasmático, os canais membranosos tem um trajeto
paralelo ao das miofibrilas e formam alças em torno delas. O
retículo sarcoplasmático funciona como armazenamento de cálcio o
qual é importante na contração muscular.
Os túbulos longitudinais terminam em ambas as extremidades
dentro de vesículas às vezes denominadas vesículas externas ou
cisternas. Onde fica armazenado o íon Cálcio (Ca ++), ai esta
localizado as vesículas externas, ao longo de toda a extensão das
miofibrilas este padrão se repete. Uma outra rede de túbulos
denominada de túbulos transversos (túbulos T), as vesículas
externas de um padrão são separadas daquelas de outro padrão.
Os túbulos T mesmo estando associados funcionalmente ao retículo
sarcoplasmático, estão separados dele anatomicamente. Representam
extensões ou invaginações da membrana da célula muscular que
constituí o sarcolema. As duas vesículas externas e o túbulo T que
as separa são conhecidas como tríade.
Não se sabe ao certo qual a função especifica do Reticulo
sarcoplasmático e dos túbulos T, mas sabe se que a tríade é
importante na contração muscular. A função dos túbulos T é a
propagação do impulso nervoso do sarcolema até as porções mais
profundas da fibra. As vesículas externas do reticulo guardam
grande quantidade de cálcio.
TIPOS DE CONTRAÇÃO MUSCULAR
Um músculo relaxado pode ser estendido até certo comprimento,
quando então oferece resistência ao aumento do comprimento. Esta
resistência caracteriza a existência de um componente elástico no
músculo em repouso. No entanto, quando um músculo é estimulado
tetanicamente não se permitindo a mudança de comprimento (contração
isométrica), observa-se à situação de tensão máxima.
A tensão varia muito conforme o estado do músculo (relaxado,
pouco contraído, muito contraído, contração máxima). No caso de um
músculo contraído ao máximo, a velocidade de contração é zero [peso
infinito]. Quando diminuímos o peso aplicado ao músculo, existirá
um peso no qual a velocidade de contração pode ser observada (mas
ainda é mínima e constante). Se o peso for diminuído gradativamente
(diminuindo assim a tensão exercida pelo músculo), a velocidade de
contração irá aumentando proporcionalmente (peso próximo de zero
implica em velocidade de contração máxima).
Na contração isomérica (ou estática), não há alteração do
comprimento do músculo, existe a liberação de calor de manutenção.
Esta quantidade de calor é proporcional ao tamanho do músculo e
corresponde à energia necessária para manter a tensão. Apresenta
uma força capaz de ser desenvolvida durante uma tensão muscular
voluntária estática. E o desenvolvimento da força ocorre sem
movimento articular aparente. É o tipo de contração sem movimento
visível articular (embora existam encurtamentos de fibras).A
contração isotônica (ou dinâmica) é aquela em que a velocidade é
diferente de zero e a tensão é constante.
A produção de calor por um músculo em contração isotônica é
proporcional à mudança de comprimento do músculo e não depende da
velocidade de contração ou do peso que foi levantado. Os elementos
contráteis do músculo são contraídos
.A contração autotônica representa uma combinação das
solicitações isométrica com isotônica.Na contração muscular
isotônica observa-se uma diminuição no comprimento do sarcômero e
os filamentos tendem a se encontrar no centro da banda H. Neste
ponto, existe tensão máxima e não há como deslizar mais os
filamentos, atingindo uma situação isométrica. No caso da contração
isométrica [tetânica], onde não observa diminuição do comprimento
do músculo, a energia liberada pelo ATP não pode ser transformada
em trabalho devido à incapacidade de deslizar mais os filamentos
sobre os outros e há produção de calor, mas não de trabalho. A
tensão seria então determinada pelas pontes.
TIPOS DE FIBRAS MUSCULARES PRESENTES NO MÚSCULO
ESQUELÉTICO
A fim de desempenhar mais eficientemente as várias funções que o
nosso corpo exige, existem três tipos diferentes de fibra muscular.
Alguns pesquisadores descreveram mais tipos de fibras musculares,
mas para a finalidade deste texto somente as três principais serão
discutidas. Cada tipo de fibra possui uma finalidade, sendo a
maioria dos músculos uma mistura dos três tipos de fibras, com
proporções maiores ou menores de um tipo de fibra muscular.
Fibras do tipo
Apresenta uma coloração vermelha escura, devido à alta
concentração de mioglobina (hemoglobina muscular que armazena
oxigênio) e mitocôndrias.
É designada de fibra de contração lenta ou oxidativa lenta.
Apresentam as latências demoradas, estando adaptadas para
contrações lentas, prolongadas e de sustentação postural. Possuem
um pequeno diâmetro.
Fibras do tipo II
(Esse grupo é subdividido em Fibras IIA e IIB)
Fibras do tipo IIA De coloração pálida devido a pouca
concentração de mioglobinas. Também são chamadas de fibras de
contração rápida ou glicolíticas rápidas, possuem um diâmetro maior
do que as fibras do tipo I.
As fibras II
A desenvolvem uma força de contração maior e completam uma
contração muscular única em menor tempo que as fibras do tipo I, no
entanto as fibras do tipo IIA fatigam mais rapidamente do que as do
tipo I. - Fibras do tipo IIB O terceiro tipo de fibra é a IIB.
É designada de oxidativo rápido-glicolítico e é intermediário em
características tais como cor, número de mitocôndrias e
hemoglobinas, tamanho, velocidade de contração e velocidade de
fadiga.
Os músculos do tronco e membros humanos contém várias proporções
dos três tipos de fibras musculares. Alem disso alguns
investigadores sugerem que as proporções de fibras musculares de
contração rápida e de contração lenta em um músculo em particular
variam de um indivíduo para indivíduo.
A quantidade de fibras do tipo um é maior em um corredor de
maratona do que um velocista de 100 metros rasos. Sóleo,
gastrocnêmio, bíceps braquial, esternocleidomastóideo, tríceps
braquial e orbicular do olho, são respectivamente os músculos com
maior proporção de fibras do tipo I.
Cada tipo de atleta, de diferentes modalidades e distâncias,
possui a sua proporção ideal dos tipos de fibras musculares para
exercer tal modalidade. O treinamento condiciona as fibras e ajudam
a alterar a proporção delas caso seja esse o objetivo.
Fonte:
www.corpohumano.hpg.ig.com.br
Músculos
Os músculos esqueléticos constituem-se de
milhares de fibras contráteis, individuais e cilíndricas chamadas
fibras musculares. Estas fibras são células longas, finas e
multinucleadas, possuindo uma membrana chamada sarcolema.
Recobrindo o sarcolema há uma bainha de tecido conjuntivo que se
chama endomísio que dá à fibra muscular consistência e
proteção.
Dentro do sarcolema existe um protoplasma aquoso especializado,
denominado sarcoplasma, que contém proteínas contráteis, enzimas,
substratos alimentares, núcleos e organelas especializadas. Há
ainda uma rede de túbulos entrelaçados e vesículas designada
retículo sarcoplasmático.
As fibras musculares se agrupam em conjuntos de até 150,
formando feixes ou fascículos, mantidas juntas por outro envoltório
de tecido conjuntivo conhecido como perimísio.
Os fascículos se reúnem formando cada um dos 430 músculos
esqueléticos voluntários do corpo humano e que são recobertos por
uma fáscia de tecido conjuntivo chamada epimísio.
Nas extremidades proximais e distais do músculo,
progressivamente, esta rede intramuscular de tecido conjuntivo vai
envolvendo cada vez menos músculo, se afunilando, até se fundir no
tecido dos tendões. São estes que vão se inserir no invólucro
externo do osso, o periósteo.
Paralelamente à fibra muscular, correm artérias e veias que ao
redor, ou dentro do endomísio, garantem a irrigação sangüínea.
Sedentários possuem 3 a 4 capilares por fibra muscular, ao passo
que nos atletas esta proporção sobe para 5 a 7:1.
Quando o músculo se contrai além de 60% de sua capacidade
máxima, o fluxo sangüíneo é diminuído devido à pressão
intramuscular. Se a contração é estática máxima, ele é totalmente
ocluído.
As fibras musculares se constituem de miofibrilas ou fibrilas
que se encontram no sarcoplasma juntamente com os outros
constituintes citados.
As miofibrilas são formadas por miofilamentos ou filamentos
constituídos por proteínas, basicamente a actina e a miosina, além
de tropomiosina, troponina, etc.
As miofibrilas são divididas pelas linhas Z em sarcômeros, que
são as unidades contráteis do músculo. As linhas Z aderem ao
sarcolema, dando estabilidade ao conjunto e mantendo os filamentos
de actina alinhados. Como o sarcolema se prende ai envoltório
conjuntivo do músculo (endomísio, perimísio e epimísio) o
encurtamento do sarcômero provocará tração nas extremidades do
músculo.
A banda I que se prende à estrutura anterior, aparece no
microscópio como uma região clara, e é formada exclusivamente de
actina. Já a faixa A, mais escura, engloba a região do sarcômero
onde estão os filamentos espessos de miosina, troponina e
tropomiosina em combinação com a actina ou não.
Circundando as miofibrilas há o retículo sarcoplasmático. Parte
deste retículo, os túbulos transversos (ou túbulos T) são
anatomicamente separados dele, pois representam invaginações do
sarcolema. Associadas aos túbulos T (que se dispõem sobre a linha
Z) estão as vesículas externas, ou cisternas de cálcio, formando as
tríades.
Ligando duas tríades, com suas extremidades dentro das
cisternas, estão os túbulos longitudinais.
O retículo sarcoplasmático terá destacada participação no
mecanismo de contração muscular, que ocorrerá com a chegada do
estímulo nervoso ao músculo.
No homem existem cerca de 250 milhões de fibras musculares e
apenas 420 mil nervos motores; isto obriga cada nervo a se
ramificar para que cada fibra estriada receba sua inervação.
De acordo com o tipo de movimento de cada músculo um neurônio
inerva aproximadamente 3 mil fibras, ao passo que nos delicados
músculos oculares esta proporção cai para 1:10.
Fonte: www.webvestibular.com.br
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