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educação física

A IMPORTÂNCIA DA EDUCAÇÃO FÍSICA ESCOLAR  (educação física) escrito em terça 20 outubro 2009 13:26

A IMPORTÂNCIA DA EDUCAÇÃO FÍSICA ESCOLAR


Todos nós sabemos da importância de fazer uma atividade física e de se manter ativo. Mas isto deve ser trabalhado já na infância, aliando a educação física à educação moral e intelectual, formando o indivíduo como um todo

 

Infelizmente muitos professores ainda desperdiçam o tempo da aula, dando uma bola aos alunos para que eles joguem futebol, vôlei, enfim, ou o que acharem melhor. Há muitos profissionais que não se preocupam em motivar os alunos. Não planejam as aulas e não tem um objetivo ou finalidade pré-determinada da aula. A educação física não se resume a correr, brincar, jogar bola, fazer ginástica...

A educação física deve sim, integrar o aluno na cultura corporal de movimento, mas de uma forma completa, transmitir conhecimentos sobre a saúde, sobre várias

 
modalidades do mundo dos esportes e do fitness, adaptando o conteúdo das aulas à individualidade de cada aluno e a fase de desenvolvimento em que estes se encontram. É uma oportunidade de desenvolver as potencialidades de cada um, mas nunca de forma seletiva e sim, incluindo todos os alunos no programa.

A educação física deve sim, integrar o aluno na cultura corporal de movimento, mas de uma forma completa”

Os alunos não devem acreditar que a aula de educação física é apenas uma hora de lazer ou recreação, mas que é uma aula como as outras, cheia de conhecimentos que poderão trazer muitos benefícios se inseridos no cotidiano. Mas, para que estes benefícios sejam notados é essencial manter uma regularidade nas atividades e desta forma, a meu ver, a aula de educação física deveria ocorrer pelo menos 3x por semana.


As aulas devem ser dinâmicas, estimulantes e interessantes. Os conteúdos precisam ter uma complexidade crescente a cada série acompanhando o desenvolvimento motor e cognitivo do aluno. Precisa existir uma relação teórica-prática na metodologia de ensino.

O professor tem de inovar e diversificar, pois o campo de trabalho envolve muitas atividades que podem ser trabalhadas com os alunos como jogos, competições, dança, música, teatro, expressão corporal, práticas de aptidão física, jogos de mímica, gincanas, leituras de textos, trabalhos escritos e práticos, dinâmica em grupo, uso de tv, dvd, etc. O campo é muito amplo. Basta o professor ser responsável, ter seriedade e muita criatividade. Um trabalho bem feito deve estimular a longevidade com qualidade.
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OS BENEFÍCIOS DA EDUCAÇÃO FÍSICA  (educação física) escrito em terça 06 outubro 2009 13:07

A Educação Física é uma disciplina que integra o educando na cultura corporal, formando o cidadão que irá produzi-la, reproduzi-la e transforma-la através dos jogos, dos esportes, das lutas, da ginástica e das danças, na busca do exercício crítico da cidadania e de uma melhor qualidade de vida. Ela é considerada como um meio educativo privilegiado, pois abrange o ser na sua totalidade, objetivando o equilíbrio, a saúde do corpo, a aptidão física para a ação e o desenvolvimento dos valores morais. Não se pode falar de um corpo fragmentado, mas de uma totalidade capaz de conectar pensamentos e movimentos através de ligações de sensibilidade. Nesta relação corpo e emoção o que importa não é o gesto pelo gesto, mas o significado deste diante do mundo. Esta disciplina permite ao educando exercer todas as suas potencialidades, desenvolve as funções mentais, a coordenação motora, a criatividade, a livre expressão e a sociabilidade, também auxilia no desenvolvimento global do indivíduo, isto é, no aspecto cognitivo, psicomotor e afetivo.

A música e a dança, auxiliares na melhora dos movimentos, tornam-se elementos integrados que enriquecem as aulas, proporcionando ao educando um meio de desenvolver sensibilidade, imaginação, improvisação, criação e comunicação de emoções, idéias, concepções e valores. Assim como a Educação Física, a dança possibilita a educação integral, pois busca a perfeita formação corporal, o espírito socializador e o desenvolvimento criativo. Além de proporcionar a expressão corporal, é uma ótima maneira de moldar o corpo, trazendo benefícios, tais como: a auto-estima, combate ao estresse e a melhora na postura corporal, porém não terá valor se tiver seu objetivo voltado somente para a arte e não priorizar o auxílio à aquisição e à manutenção da saúde e aptidão social, mental, psíquica, física e afetiva.

Cabe ao professor aprofundar essas habilidades e conhecimentos técnico-científicos, culturais e artísticos, aprimorando seus valores e atributos como educador e buscar subsídios para uma atuação afetiva e positiva em relação aos educandos. Isso tornará a atividade física acessível para o máximo possível de pessoas, sem o caráter elitista, para que todos possam participar dentro das suas limitações e capacidades. As aulas devem ser uma oportunidade de aprender e ensinar com prazer, unindo o corpo, o espírito e o coração na busca de um ser espontâneo, vivo, dinâmico e capaz de exteriorizar seus pensamentos, sentimentos e sensações. A Educação Física pode e deve, num ambiente de muito afeto, desenvolver o indivíduo na sua totalidade, proporcionando a ele uma oportunidade de encontrar-se, descobrir-se e amar-se para, a partir desta auto-afirmação, poder amar também os outros de forma plena e intensa.

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O GALÃ, O TURISTA E O PALADINO  (educação física) escrito em domingo 24 maio 2009 23:03

O primeiro arrancou suspiros das moças. O segundo foi
campeão quase por acaso. O último assombrou Atenas com sua valentia.
Eis alguns dos nomes que ficaram célebres nos Jogos

 

O escocês Elliot: presença airosa

Filho das relações incestuosas do rei Cíniras com a filha Mirra, o jovem Adônis, figura famosa da mitologia, sempre representou o ideal de beleza dos gregos - ao menos até o desembarque em Atenas do espadaúdo escocês Launceston Elliot. O atleta despertou uma admiração incomum dos helênicos - ou melhor, das helênicas - com seu corpo bem torneado e simétrico e seus cabelos e bigodes sobranceiros, atraindo para os eventos em que tomava parte um público bem superior ao do restante das provas. Sua beleza foi exaltada até pelos organizadores nas celebrações oficiais, e chegou a ofuscar seu bom desempenho nas provas do levantamento de peso. Praticante do esporte desde os 13 anos, o britânico nascido na Índia em 1874 competiu nas duas categorias da modalidade. Travou um ferrenho embate com o dinamarquês Viggo Jensen, no levantamento de peso com dois braços, que terminou empatado: cada um alçou 111,5 quilos. O príncipe grego Constantino, árbitro da competição, declarou a vitória ao dinamarquês, que teve mais facilidade para levantar os pesos do que o escocês. O desempate subjetivo gerou protestos da delegação da Grã-Bretanha, e uma nova chance foi dada aos competidores. Como nenhum conseguisse superar seu resultado anterior, a vitória ficou com Jensen. Elliot, muito britanicamente, cumprimentou o rival e foi à forra em seguida, no levantamento de peso com uma mão. Triunfou com facilidade ao içar 71 quilos. Elliot, o belo, ainda competiu nos 100 metros - ficou em terceiro em sua bateria e não chegou à final - e na luta, sendo derrotado na primeira rodada. Pouco importava: sua airosa presença já estava na memória dos gregos.

 

O estudante Boland: vitória contra o grego Kasdaglis na decisão da medalha

O irlandês John Pius Boland, estudante de Oxford Union, foi a Atenas literalmente a passeio. Fascinado pela cultura e pela mitologia helênicas, regozijou-se com a idéia do Barão de Coubertin de ressuscitar os Jogos Olímpicos e arrumou as malas para passar o feriado da Páscoa na Grécia. Entretanto, em uma das histórias mais inusitadas do festivo encontro internacional, o turista voltou para casa com nada menos do que duas medalhas de prata na bagagem. Explica-se: ao chegar à capital, Boland foi recepcionado por Thrasyvoalos Manaos, seu colega na universidade, que se engajara na organização do evento. Lá, descobriu que o amigo o inscrevera para o torneio de tênis. Sem o equipamento necessário à prática do esporte, o irlandês de 25 anos competiu com seus sapatos de salto e sola de couro e uma raquete emprestada. Ainda assim, derrotou o alemão Friedrich Traun na primeira rodada e os gregos Evangelos Rallis, Konstantinos Paspatis e Dionysios Kasdaglis na segunda rodada, semifinal e final, respectivamente. Boland ainda levaria para casa uma segunda medalha de prata, pela vitória no torneio de duplas - atuando ao lado do alemão Traun, venceu a dupla grega composta por Kasdaglis e Demetrios Petrokokkinos. Para um apaixonado pela Grécia, nada mal fazer história nela.

 

Baixinho sobre o cavalo: maior vencedor

O maior vencedor dos Jogos Olímpicos de 1896 tem características pouco afeitas a um atleta aos moldes clássicos gregos. Baixinho, atarracado e careca, o valente alemão Carl Schumann abocanhou nada menos do que três primeiros lugares no esporte que mais requer elasticidade de seus competidores - a ginástica - e surpreendeu o mundo ao triunfar também na luta, batendo adversários fisicamente mais avantajados. Atleta da conceituada associação germânica Berliner Turnerschaft, Schumann travou na ginástica um duelo particular com seu colega e compatriota Hermann Weingärtner. Cada um levou três pratas: duas por equipes, nas barras horizontais e paralelas, e uma individual - Weingärtner nas barras horizontais, Schumann no salto sobre o cavalo. Tudo levava a crer, contudo, que as duas medalhas de bronze de Weingärtner, pelos segundos lugares na argola e no cavalo, deixá-lo-ia com o melhor desempenho de todos os atletas dos Jogos. Além deles, apenas Alfred Flatow, também integrante do time tedesco da ginástica, conseguira três pratas. Mas o diminuto Schumann resolveu arriscar a sorte também na luta. Contra todos os prognósticos, alcançou o triunfo que o colocou em primeiro lugar na lista dos maiores vencedores. Seu adversário inicial foi o portentoso escocês Launceston Elliot, que levava ampla vantagem no tamanho. Mas o alemão, com um golpe relâmpago logo na saída, derrubou o gigante bretão e venceu a contenda. Na final, contra o grego Georgios Tsitas, a parada foi mais dura. Os lutadores batalharam por 40 minutos, até o cair da noite. A falta de iluminação fez com que os juízes interrompessem a luta e a recomeçassem só no dia seguinte, quando Schumann usou o fator surpresa e aniquilou o grego nos primeiros instantes do combate. Mais uma prova de que é o coração que faz o campeão.

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O GIGANTE DE MÁRMORE  (educação física) escrito em domingo 24 maio 2009 23:01

Sede principal dos Jogos, o estádio Panathinaiko renasce
após séculos de ostracismo e encanta atletas e torcedores com seu
fulgor. Reforma foi bancada por magnata grego
Um palco com história milenar: a reforma do estupendo 'Kallimarmaro' custou o equivalente a 94.300 dólares

 

As corridas de carruagens e o pugilismo, atrações esportivas dos jogos clássicos dos gregos, foram substituídos pela competição de bicicletas e pela esgrima neste evento moderno. Uma coisa, entretanto, não mudou: um dos maiores palcos olímpicos está outra vez brilhando – literalmente – no centro de Atenas. Encravado entre os morros de Agra e Ardettos, o estádio Panathinaiko, com pelo menos 2.200 anos de história, ofusca olhares em sua resplandecente construção de mármore branco. Renovado especialmente para estes Jogos Olímpicos, o estádio, carinhosamente apelidado pelos locais de Kallimarmaro – "o belo marmorizado" –, impressionou a todos os atletas e visitantes, sem exceção, desempenhando a ponte perfeita entre o passado e o presente, tão desejada pelos membros do Comitê Olímpico. "O estádio Panathinaiko nos coloca face a face com a grandeza e o poder da sociedade antiga de Atenas. É uma magnitude que vem não de um monumento construído por escravos para glorificar um governante, mas de uma estrutura para abrigar uma comunidade livre e poderosa, unida pela apreciação pacífica da força e habilidade física", disse, embasbacado, o estadunidense Charles Waldstein, que competiu nas provas de tiro.

Ferradura alongada: lugar para receber mais de 50.000 espectadores

Obra faraônica – Até o ano de 330 a.C., Atenas não possuía uma praça esportiva à altura de seus atletas. Ao assumir como governante, Licurgo, o Orador, deu início à construção de um estádio para abrigar os Jogos Panatenaicos, parte das festividades da Panathenaea, maior celebração de Atenas, em homenagem à deusa que empresta o nome à cidade. Em forma de ferradura alongada, com uma pista de aproximadamente 200 metros, foi projetado com assentos de madeira especiais para convidados e autoridades; para o restante da platéia, as acomodações eram de terra chã. Erguer um estádio para 50.000 pessoas, porém, acabou consumindo mais verbas do que o imaginado, e a construção só foi terminada graças à ajuda desinteressada de cidadãos atenienses, como Eudemos. Aberto a todos que quisessem freqüentá-lo, o Panathinaiko foi sede de diversas competições de atletismo e ginástica, e manteve suas características originais até as cercanias de 140 d.C. Herodes Atticus, nomeado organizador dos Jogos Panatenaicos, decidiu agradecer a confiança nele depositada pelos atenienses com a reforma do estádio. Grandiloqüente, decidiu revesti-lo do mármore branco do monte Pentélico. Era o mesmo material usado nos grandes monumentos atenienses. Dito e feito: construiu faraônicas arquibancadas de mármore para todos os espectadores, além de templos, portais e outras obras artísticas.

Durante o violento jugo do Império Romano na Grécia, o estádio passou a abrigar duelos de gladiadores e corridas de bigas, além das lutas de animais – para desespero dos humanistas atenienses. Também foi erguido um semicírculo de arquibancadas para fechar a arena e dar a ela um formato ovalado, comum a esse tipo de construção em Roma. Não se sabe o destino do estádio a partir do obscuro período da Idade Média, mas é certo que sua deterioração foi acelerada, com a retirada gradativa do mármore para ser reutilizado em outras construções ou mesmo para ser transformado em cal. Restos de três fornos foram encontrados nas cercanias do estádio, em escavações que começaram em 1869 e duraram até 1878, a cargo do arqueólogo alemão Ernst Ziller. Foram elas que tornaram possível a reconstrução do Panathinaiko de acordo com as plantas de Herodes. Com o estádio praticamente desfigurado, era necessária uma vultosa soma para fazê-lo brilhar de novo, com os mármores do Pentélico. No orçamento dos novos Jogos, porém, a verba destinada à reconstrução não era suficiente nem sequer para o início das obras.

 

Averoff: caudaloso chafariz monetário

O novo Herodes – O governo grego, então, decidiu recorrer a seu mais caudaloso chafariz monetário: o magnata grego Georgeos Averoff, que só nos últimos anos já financiara a construção da Escola Politécnica, do Colégio Militar, do Colégio para Moças e do Reformatório Juvenil, entre outras. Radicado em Alexandria, no Egito, o empresário mais uma vez não recusou o chamado da pátria, e aceitou, honrado, financiar por completo a reforma do Panathinaiko. Inicialmente, a promessa era de que seriam necessários 585.000 dracmas (o equivalente a pouco mais de 60.000 dólares americanos) para a reforma; entretanto, como é de costume nessas ocasiões, a empreitada avançou no bolso de Averoff, que ao final teve de desembolsar nada menos do que 920.000 dracmas – um gasto quase 60% acima do previsto. O canteiro de obras no centro de Atenas ajudou a despertar a curiosidade dos gregos para os Jogos. Sob a batuta do arquiteto Anastasios Metaxas, que encarregou o londrino Charles Perry da preparação da pista de atletismo de cinza batida, um esquadrão de trabalhadores labutou contra o relógio. Para alívio dos organizadores e satisfação dos visitantes, deu tempo.

Os Jogos certamente perderiam a maior parte de seu brilho caso o estádio Panathinaiko não fosse a sede principal do evento. Apesar da beleza do Velódromo Neo Phaliron e dos jardins do Zappeion, que receberam algumas modalidades, foi o Kallimarmaro que encantou a todos os visitantes. Nele disputaram-se as provas de atletismo, ginástica, luta e levantamento de peso, além da espetacular chegada da maratona. O financiador Averoff, pelo menos, foi constantemente lembrado pelos gregos. Na véspera da abertura, inaugurou-se uma estátua com sua imagem carregada de pompa e circunstância na entrada principal do estádio, com a presença de toda a família real. Em um de seus discursos de encerramento, o rei Jorge foi ainda mais longe. "Eu e a nação expressamos nosso agradecimento ao grande benfeitor deste país, George Averoff, que se apresentou com generosidade e munificência, e que se mostrou digno da comparação com Herodes Atticus. Mais do que ninguém, ele colaborou para o sucesso dos Jogos Olímpicos em Atenas." Poucas vezes uma pena laudatória foi tão justa.

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UM CAMPONÊS NO OLIMPO  (educação física) escrito em domingo 24 maio 2009 22:59

Com uma inesperada vitória na maratona, prova mais
aguardada dos Jogos Olímpicos, Spiridon Louis vira herói da Grécia
e transforma até os príncipes herdeiros em súditos
Gregos em júbilo: o bravo Spiridon Louis, um camponês de 23 anos, completa a prova diante da família real helênica

 

Depois de uma jornada de quase três horas entre Maratona e Atenas, na qual desbancou surpreendentemente os atletas favoritos, o grego Spiridon Louis, camponês da cidade de Amaroussion, adentrou o estádio Panathinaiko para completar o percurso de mais de 40 quilômetros na mais esperada prova dos novos Jogos Olímpicos de 1896. Quase 70.000 compatriotas alcançavam o êxtase ao presenciar o triunfo de Louis na recém-criada maratona, tradução esportiva da milenar façanha do soldado Feidípedes, que em 490 a.C. correu o mesmo caminho para anunciar, para igual júbilo de seus patrícios, a vitória ateniense contra os persas na batalha de Maratona. A semelhança entre o destino dos dois heróis gregos, porém, cessava nesse ponto: enquanto a tragédia granjeou Feidípedes, que caiu morto após pronunciar uma única e hoje célebre frase – "regozijem-se, atenienses, vencemos!" –, a glória enamorou-se de Spiridon Louis, alçado imediatamente ao panteão dos mais valentes helenos.

Proeza heróica: percurso em três horas

Logo após completar a prova, o atleta de 23 anos foi carregado nos ombros pelos dois príncipes herdeiros da Grécia, Constantino e Jorge – honra inédita a um plebeu –, que o levaram ao encontro do rei Jorge, em seu trono de mármore nas tribunas. Às congratulações do monarca somaram-se caixas de charutos, correntes, um relógio de ouro cravejado de pérolas e um vale para 365 refeições. Entusiasmado, um cidadão teve de ser dissuadido de assinar um cheque de dez mil francos endossado ao vitorioso – o que feriria gravemente o caráter amador dos Jogos. De qualquer forma, Louis acabaria por não aceitar nenhuma das ofertas dos aficionados, à exceção da medalha de prata concedida pelos organizadores e de dois presentes – uma taça, também de prata, de 25 centímetros, oferecida pelo filólogo francês Michel Bréal, idealizador da corrida, e um vaso adornado com a imagem de um corredor, presenteado pelo colecionador de antiguidades Ioannis Lambros.

Alto, magro e humilde, o herói da maratona olímpica e novo ídolo do povo grego preparou-se para a prova labutando, correndo ao lado dos cavalos que o acompanham em sua lida agrícola. Sua resistência e sua velocidade em longos trajetos foram notadas durante o serviço militar na infantaria, mas o grego jamais disputara qualquer tipo de competição esportiva. Mesmo assim, um de seus superiores no exército, o coronel Papadiamantopoulos, integrante do comitê organizador dos Jogos, persuadiu-o a inscrever-se na maratona. Na véspera da grande corrida, enquanto toda a Grécia sonhava com um de seus corredores recebendo a medalha, unindo o passado glorioso da Antiguidade ao dinamismo dos Jogos modernos, o camponês Louis rezava à luz de velas em um singelo celeiro, depois de ter comungado e confessado seus pecados. Suas preces – assim como as de toda a nação helênica – logo seriam atendidas.

Os concorrentes ficaram pelo caminho: um francês se espatifou no chão

Arrancada final – Precisamente às 14 horas do último dia 10, quinto dia de disputas, 17 competidores – treze gregos, um húngaro, um australiano, um francês e um americano – se fizeram presentes à ponte de Maratona para a largada da corrida. A organização espalhou soldados ao longo dos 40 quilômetros do trajeto; charretes com médicos, cronômetros e suprimentos acompanhariam os corredores durante todo o percurso. Um disparo da pistola do coronel Papadiamantopoulos deu o início à contenda, dominada inicialmente pelos estrangeiros. Até a metade da corrida, na cidade de Pikermi, o ponteiro era o francês Lermusiaux, à frente do americano Flack, do australiano Blake e do húngaro Kelner. Nesse ponto, os dois primeiros gregos na classificação, Lavrentis (campeão das preliminares olímpicas) e Kafetzis, abandonaram a prova, abrindo espaço para o vencedor dos jogos pan-helênicos, Kharilaos Vasilakos.

Em sua passagem por Pikermi, ainda na sexta posição, Spiridon Louis, que corria com uma túnica branca e sapatos emprestados de um vizinho, entornou um copo de vinho oferecido por um espectador e perguntou aos moradores quem estava à sua frente. Ao ser informado da distância que o separava dos líderes, não se abateu. "Não será problema. Eu os alcançarei, os ultrapassarei e ganharei deles." O trecho em aclive que se seguiu ajudou Louis a concretizar sua previsão. Blake foi o primeiro a abandonar. Depois foi a vez de Lermusiaux, que pagou o preço por seu início exageradamente lépido. No quilômetro 32, o francês, já tendo perdido a posição para Flack, espatifou-se no chão e teve de ser recolhido por uma das carruagens de apoio. Enquanto isso, Louis, que já ultrapassara Vasilakos e Kelner e era seguido por uma multidão de entusiastas, começava a encostar no líder. No quilômetro 34, o grego deu o bote e ultrapassou o americano, para frenesi dos espectadores.

Louros da glória: cerimônia de premiação

Por cerca de três quilômetros, Louis e Flack se mantiveram separados por uma distância de meros 20 passos. No quilômetro 37, na saída da cidade de Ambelokipi, a namorada do grego, Eleni, o esperava com alguns pedaços de laranja. De energia renovada, o líder apertou o passo e se desgarrou do adversário, que sucumbiu ao esforço e também precisou ser socorrido pelo carro médico. Um tiro anunciou a entrada de Louis no perímetro de Atenas, próximo à escola Rizarios; no estádio, porém, chegava a informação equivocada de que era Flack o primeiro. O desânimo já tomava conta dos gregos quando um diligente mensageiro, galopando seu corcel, entrou no estádio. Seguindo direto para a tribuna real, informou que a vitória seria do grego Spiridon Louis. A notícia logo se espalhou. Quando Louis entrou no estádio e completou a prova, com o tempo de 2 horas, 58 minutos e 50 segundos, a apoteose já estava preparada. A chegada de Vasilakos, sete minutos depois, e de Belokas, que vinha em seguida, deu aos helenos o segundo e terceiro lugares, para completar a festa. (Belokas, contudo, foi desclassificado pouco mais tarde, ao se descobrir que percorreu parte do trajeto em uma carruagem. O húngaro Kelner herdou assim o terceiro posto.)

Desejos realizados – O triunfo de Louis, com as intermináveis celebrações do povo grego, eclipsou por completo todas as outras modalidades. No dia 15 de abril, na cerimônia de encerramento dos Jogos Olímpicos, o vencedor da maratona foi a grande atração, comandando o desfile dos atletas pelo estádio Panathinaiko, como era o costume na Antiguidade. O público homenageou Louis com uma chuva de flores; em retribuição, o atleta acenava e agitava sem parar sua pequena bandeira da Grécia. Além da taça e da medalha, o campeão tomaria para si um terceiro presente – este não retornável, por vir diretamente do rei Jorge, que prometeu providenciar ao corredor qualquer coisa que este desejasse. A resposta foi imediata: um cavalo e uma charrete para facilitar o transporte de água em sua labuta. Humilde, como um verdadeiro herói.

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